30 milhões marcham no Egito no maior protesto do mundo. E agora, Obama?

Outras fontes falam em 15-20 milhões. O fato é que o protesto de 30 de junho já é o maior da história da humanidade. Os protestantes (no sentido não-religioso da palavra) pedem a renúncia do presidente Mohamed Morsi. 22 milhões já assinaram a petição por uma nova eleição.

Protestos de 30 de junho no Egito

Protestos de 30 de junho no Egito

A mídia americana não está cobrindo como deveria, mas, pudera: Morsi é a mão americana no Egito. Ele já trabalhou na NASA e seus filhos têm cidadania americana. Sua missão, apoiada pela CIA e Israel, era instalar o governo da Irmandade Muçulmana, grupo islamita radical, com o objetivo de influenciar outros países da região, como Síria e Irã a cumprir com os interesses dos EUA e Israel (a Irmandade Muçulmana, por exemplo, já pediu aos países árabes intervenção militar na Síria). E, uma vez que foi eleito democraticamente, isso poderia ajudar a retratar os árabes como uma única massa homogênea de muçulmanos radicais. Sem contar com tudo o que vem junto com seu governo: instabilidade, ódio aos islamitas e conflito entre os próprios muçulmanos, radicais e moderados. Um prato cheio para os sionistas israelenses (atenção, eu disse sionistas – não sou contra judeus ou israelenses) se colocarem como os pobrezinhos no meio de tantos governos radicais.

É incrível que a mídia manipula tanto as pessoas a ponto de não se enxergar que o governo dos EUA (e seus comparsas), que se dizem há anos na luta contra o extremismo, estão por trás de movimentos da Primavera Árabe financiando e armando grupos rebeldes com o objetivo de instaurar governos radicais na região.

Manifestantes usam o laser verde para que o piloto do helicóptero militar não consiga pousar ou atacar

Manifestantes usam o laser verde para que o piloto do helicóptero militar não consiga pousar ou atacar

Entenda os protestos no Egito

Os EUA e Israel não contavam com uma coisa: o despertar do povo. Para entender a causa do protesto gigante no Egito, é preciso voltar dois anos atrás, quando Mubarak renunciou depois de pressão dos EUA, da Irmandade Muçulmana e de líderes da União Europeia. Depois de um governo de transição comandado pelos militares, Morsi ganhou as eleições presidenciais com 51% dos votos. Levando em conta que metade dos egípcios não foi às urnas, ele foi eleito com 26% de apoio popular.

O problema é que, a partir daí, se revelou um tirano que traria mais danos e abusos aos direitos humanos do que Mubarak. Para começar, Morsi formou um governo cujos membros eram em sua maioria pertencentes à Irmandade Muçulmana, na tentativa de instaurar um governo islamita radical. Aprovou uma constituição que consolidava o islamismo no país, diminuiu o poder dos militares e estendeu os seus, colocando-se acima da corte judicial. A economia do país está se deteriorando e as pessoas estão sentindo os efeitos da falta de suprimentos básicos. Morsi ainda tratou de silenciar e prender críticos e opositores. Abriu-se uma distância enorme entre Morsi e seus aliados islamitas e uma grande oposição formada por cristãos, muçulmanos moderados e liberais.

Diante disso tudo, o grupo Tamarod, formado por jovens apartidários, lançou a petição que recolheu 22 milhões de assinaturas pedindo eleições antecipadas, mas que foi ignorada por Morsi. Assim, organizaram o movimento de 30 de junho, que contou com um número recorde de manifestantes: cerca de 30 milhões em todo o país (quase 40% da população total). No dia 1 de julho, o Exército deu 48 horas para Morsi atender às exigências do povo – caso contrário, tomaria as medidas necessárias. Mas hoje, data limite, Morsi não anunciou nenhuma decisão. A oposição e o Exército negam a possibilidade de um golpe militar. Até agora, 10 ministros já pediram para renunciar.

Os EUA, claro, ficaram quietos diante de tudo isso – muito estranho para um país que sempre se intrometia para “salvar” os árabes de seus ditadores, não é? Apenas duas semanas antes do protesto, a embaixadora americana Anne Patterson fez um discurso no Cairo desencorajando as manifestações de rua. A mídia americana nem dá muita atenção ao assunto, por vezes chamando a oposição de “rebeldes”, mas 30 milhões é muita coisa para serem apenas isso. Os EUA estão apenas enviando dinheiro aos militares que, até agora, estão neutros.

A embaixadora americana Anne Patterson é vista como apoiadora de Morsi

A embaixadora americana Anne Patterson é vista como apoiadora de Morsi

Os egípcios estão vendo os EUA como “do lado errado”. E como o Egito é um país estratégico para a política americana na região, a porta entrada do mundo árabe e uma grande influência para outros países do Oriente Médio, os EUA estão na corda bamba.

E agora, Obama, de que lado você vai ficar?

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