E os EUA nem esperaram o cadáver de Chávez esfriar…

Apenas um dia depois da morte do líder venezuelano, conhecido por proteger seu povo e as riquezas de seu país dos interesses americanos, o American Enterprise Institute (AEI) lança um cheklist para orientar decisores políticos americanos a aproveitar essa era pós-Chávez. Algumas demandas-chave:

– desmantelar as redes iranianas e do Hezbollah na Venezuela
– convencer outros líderes regionais a apoiar os democratas venezuelanos, com o objetivo de reconstruir uma economia que pode ser um motor de crescimento na América do Sul (leia-se: América do Norte)
– deixar claro para líderes chineses, russos, iranianos e cubanos que os EUA vão agir se eles tentarem sustentar um regime hostil na Venezuela. Qualquer tentativa de apoiá-los com o dinheiro chinês, as armas russas, os terroristas iranianos ou o vandalismo cubano terá uma resposta regional coordenada.

Outro trecho:

“Agências norte-americanas de desenvolvimento devem trabalhar com amigos regionais para formar uma força-tarefa de representantes do setor privado, economistas e engenheiros, trabalhando com os venezuelanos para identificar as reformas econômicas, investimentos de infra-estrutura, assistência de segurança e ajuda humanitária que serão necessários para estabilizar e reconstruir o país. É claro, a expectativa será de que todos os custos destas atividades serão suportadas por um setor de petróleo restaurado para a produtividade e rentabilidade.” (leia-se: dos EUA)

Antes de comentarmos, é bom lembrar que, apesar de sua política controversa, Chávez acumulou vários feitos:

– investiu 500 bilhões de dólares no setor social
– reduziu a pobreza extrema de 26% a 7%
– reduziu a pobreza geral de 60% a 20%
– reduziu a mortalidade infantil de 19% a 9%
– acabou com o analfabetismo
– reduziu o desemprego de 14,5% a 8%
– aumentou o PIB de -6% a 5,7%
– aumentou o PIB per capita de US$ 8,2 mil a US$ 13,2 mil
– lutou contra a política imperialista americana
– era amado pelos venezuelanos

Será que os venezuelanos precisam tanto assim da ajuda dos EUA? Está claro que os EUA querem, na verdade, instaurar uma política na Venezuela que vá de acordo com seus interesses, tirando proveito de sua riqueza, principalmente do petróleo (como assinalado na mensagem do AEI), ao mesmo tempo em que diminuem a influência conquistada por Chávez na América Latina. Essa é uma receita já posta em prática em muitos outros países. Não é de hoje que os EUA apoiam democratas venezuelanos como Henrique Capriles Radonski e sua frente política Primero Justicia, que inclusive já estão sendo promovidos pela grande mídia ocidental no panorama das eleições. Randonski já esteve na cadeia por facilitar o golpe de estado apoiado pelos EUA em 2002, contra Chavez.

A mensagem é clara. Não é conspiração. Está lá, para todo mundo ver.

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