O real interesse por trás da campanha Kony 2012.

Você já deve ter ouvido falar na campanha Kony2012, que já se tornou o maior viral da história. Trata-se de uma campanha produzida pela ONG Invisible Children, com o objetivo de mostrar ao mundo quem é Joseph Kony, líder do Exército de Resistência do Senhor, de Uganda, que alicia crianças para um exército infantil. Já são mais de 30 mil crianças. Em muitos casos, elas são forçadas a matar os próprios pais, liberando o caminho para Kony fazer o que quiser. E isso ainda inclui mutilação, estupros e assassinatos. Segundo a campanha, Kony não possui nenhum objetivo claro, apesar da filosofia religiosa.

Segundo o vídeo, quanto mais Kony ficar conhecido no mundo, maior será a pressão para os EUA enviarem tropas à Uganda. Ok, a monstruosidade desse indivíduo já está clara. Mas quais são realmente os interesses dos EUA? Simples: o mesmo interesse que tinham ao “defender” a Líbia, a Síria e o Iraque de seus ditadores. Money.

É fácil perceber que os EUA têm interesse financeiro de enviar tropas para a Uganda. Uma “organização de gerenciamento de crises”, de cujo board executivo o billionário George Soros é membro, recomendou recentemente aos EUA enviar tropas para a Uganda para estabelecer uma plataforma de inteligência. O presidente desta organização é o mesmo autor da doutrina militar usada por Obama para justificar os ataques da NATO à Líbia (e já sabemos as conseqüências). O próprio Soros mantém laços estreitos com os interesses petrolíferos em Uganda. Suas organizações têm liderado os esforços por mais transparência na indústria petrolífera de Uganda, que é rigidamente controlada pela liderança do país (controle, aliás, muito justo, não?)

Desde o ano passado, conservadores e liberais americanos questionam a decisão de Obama de enviar tropas à Uganda. Afinal, mesmo com a justificativa de atacar um grupo “terrorista”, o mesmo não representa nenhuma ameaça aos EUA, pré-requisito para enviar americanos e americanas a nações estrangeiras. Em outubro de 2011, Max Fisher escreveu no The Atlantic que o governo Obama, em 2010, tinha aprovado bases e operações de forças especiais em todo o Oriente Médio, o Nordeste Africano e Ásia Central.

Soros e o petróleo de Uganda

A exploração de petróleo começou no noroeste de Uganda há menos de uma década. O Ministério de Energia de Uganda estima que o país tem mais de 2 bilhões de barris de petróleo, com algumas estimativas chegando a 6 bilhões de barris. A produção estava marcada para começar em 2013, mas atrasou para 2015 em parte porque o país não pôs em prática um quadro regulamentar para a indústria do petróleo.

Uma política nacional de óleo e gás de 2008, financiada por Soros, o amigo bilionário de Obama, deveria ser um guia geral para a manipulação e utilização do óleo. No entanto, as recomendações dessa política têm sido amplamente ignoradas, com críticos acusando o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, de apertar o controle sobre o emergente setor petrolífero do país africano. Fora isso, diversos institutos fundados por Soros foram responsáveis por desenvolver outras iniciativas envolvendo a exploração do petróleo de Uganda. E o próprio Soros depois recomendou enviar tropas a Uganda? Hmmmm… Que coincidência!!

Tudo amarrado? Não vamos nem contar os interesses no Banco de Uganda e os caças russos que o país teria adquirido no ano passado para sua defesa. Há até habitantes de Uganda garantindo que Kony já está morto há algum tempo.

Vamos agora a uma breve análise do material da campanha que, tenho certeza, despertará muita desconfiança dos mais crédulos: os que crêem que está tudo bem, que ninguém tem interesses escusos. Mas, como todo assunto controverso, é normal que causem uma certa discussão, que acredito ser saudável.

– O filme é superbem produzido. Uma produção de Hollywood que custaria milhões de dólares. Digo com propriedade de quem trabalha com o meio audiovisual. Quem bancou isso?

– As celebridades que endorsam a campanha (Rihanna, Bill Clinton, Lady Gaga, Jay-Z, Bill Gates, Bono, Condoleezza Rice, ) saltaram aos olhos dos mais atentos por suas ligações com os Illuminati.

Vejamos o pôster abaixo:

– Parece um pôster de campanha eleitoral. Não há nada opondo o nome de Kony, como “Justiça contra Kony”. Apenas “Kony 2012”. Quem não conhece a história acha que ele é bonzinho.
– Estrelas fazem referência à bandeira dos Estados Unidos
– O slogan faz referência à campanha do Obama: One thing we can/ all agree on. A quebra de linhas destacou ainda mais a expressão We Can.

E este outro pôster. Alguma semelhança com o pôster da campanha de Obama? Algum interesse na reeleição?

A pirâmide (símbolo ocultista) invertida. Poderia ser a pirâmide social invertida. Faria sentido se fosse uma campanha para acabar com a pobreza no mundo, invertendo a ordem social. Mais a frase “We are living in a new world”. Só faltou o “new world order”.

Este pôster também mostra um símbolo invertido. Neste caso, o símbolo da paz está invertido. Por que? Inversão, no simbolismo ocultista, significa oposição.

Acho que as coisas ficaram mais claras, certo?

11 respostas em “O real interesse por trás da campanha Kony 2012.

  1. eXXcelente análise, Carla.
    Tb achei a produção do vídeo com cara de “inconvenient Truth” do Al Gore, já que essa coisa de aquecimentro global é outra farsa descarada.
    As SOCIEDADES SECRETAS criam a miséria que produz um montro tipo KONI ou até patrocinam esses caras para depois fazerm aquilo que lhes interessa.
    Temos que derrubar A BESTA e então as comunidades vão conseguir se equilibrar em poico tempo.
    Abrçs

    • Isso aí, Geraldo. Kony, Al Qaeda etc. Eles criam os inimigos para terem justificativas de entrar em guerra. Muito obrigada pelo comentário.

  2. Acho que o triângulo invertido, no caso, quer dizer a ordem social invertida. Dá pra ver as divisões sociais ali, com a maior na primeira posição. Claro, o triângulo é um símbolo relacionado ao ocultismo e isso bem se sabe (não é exclusivamente maçônico, mas eles tem uma vasta gama de significados pra ele, fato). Particularmente, não acredito muito em teorias da conspiração com os Iluminati e tals. Se existe uma ordem secreta que rege o destino da humanidade, saber o nome dela já os faria trocar de roupas, nomes, localidade e etc… Digo, os Iluminati não eram a Sociedade de Thule antes? E depois ou outro nome lá?
    Mas bom post! Nem sabia que tinha petróleo na Uganda!

    • Oi, Filipe, concordo que a questão dos símbolos pode ser controversa. Na minha opinião, a pirâmide pode sim ser a ordem social invertida, aliás é a explicação oficial que eles dão no vídeo. Mas é algo que, nessa campanha, não faz muito sentido. Se fosse uma campanha para acabar com a pobreza ou diminuir a desigualdade social, seria perfeitamente cabível. Mas o que uma campanha para encontrar um “terrorista” que age em nome de uma fé tem a ver com pirâmide social invertida? Não se trata de uma luta entre ricos x pobres, mas sim mais uma história de guerra religiosa controversa. As tropas americanas em Uganda não vão resolver o problema social de lá. O que pode ajudar no problema social, sim, é se os EUA não entrarem de bico no petróleo daquele país. Então, acho que a conexão está um pouco longe. Mas é apenas a minha opinião.

      Sobre teoria de conspiração, eu não gosto muito de chamar assim, pois acho que essa expressão já vem com uma carga de significados. Acho que é mais uma prática da conspiração rsrs. Ah, e sobre o petróleo em Uganda, ele foi recentemente descoberto. Veja esta matéria no The Economist: http://www.economist.com/node/14177583

      Abraços e obrigada pelo comentário!!

  3. Tem várias coisas erradas nesse post… O vídeo não é uma produção tão cara assim (tem coisa no youtube com mais efeitos especiais e produzido no quintal de casa)… NENHUMA celebridade apoiava o Kony2012 até a data do vídeo (no vídeo, eles pedem para que as pessoas encham o saco das celebridades para que elas apoiem)… a ONG foi fundada em 2003 depois que eles fizeram um documentario sobre o genocidio promovido pelo Kony (quando Obama era NINGUÉM).. e ocultismo é uma coisa do tipo “vê quem quer”, afinal de contas até nas músicas da Xuxa esse povo encontrou referências ao diabo…

    Se os EUA quisessem o petróleo de Uganda, eles iam lá e tomavam. Eles não pediram licença para entrar no Afeganistão, nem permissão para invadir o Iraque. Nunca antes alguém ousou usar a internet dessa maneira, os idealizadores dessa campanha estão de parabéns.

    Mas os governos africanos (em geral) são tão endividados e elitistas que seria mais fácil comprá-los por alguns dólares do que fazer todo esse alvoroço.. A internet foi usada para tornar ricos e famosos os (a menos de 5 anos) desconhecidos Lady Gaga, Luan Santana, Justin Bieber… Espalhamos memes e vídeos promíscuos… Tornar conhecidos os crimes desse bárbaro, para mim, é o melhor uso já pensado para a internet! Sonho agora com o dia em que poderemos tornar igualmente famosos os tantos crimes dos nossos políticos coronelistas sem sermos prontamente intimados pela (in)Justiça Brasileira!

    • Rafael, permita-me discordar de você. Primeiramente, a produção do vídeo é cara sim. Eu trabalho com isso e sei que a produção de um comercial de 30 segundos, por exemplo, com abertura de câmera e cenas externas em diferentes locações custa em torno de um milhão de reais. Imagine um filme de 30 minutos. O que encarece não são os efeitos de fundo de quintal.
      O fato de nenhuma celebridade apoiar o Kony2012 até a data do vídeo ou a ONG existir antes disso não quer dizer nada. Afinal, não estou questionando a ONG. Estou questionando a campanha estado-unidense.
      Acredito que a ONG começou com os melhores dos interesses, mas não acredito no bom interesse dos EUA. Acredito que é excelente o mundo inteiro ficar sabendo das atrocidades desse cara, mas não concordo com a intervenção militar americana. E existem grupos humanitários cuidando desse problema há anos.
      O que estou dizendo é que os EUA precisavam de um pretexto para colocar tropas em Uganda. E encontraram, aproveitaram-se da situação.
      Se os EUA querem o petróleo de Uganda, não é assim, eles chegam e invadem. Isso vai contra as leis internacionais. Os EUA sempre precisaram de pretextos para poder invadir e assim tomar o petróleo. Foi assim com o Iraque, quando os EUA usaram a falsa questão nuclear e forjaram provas para entrar em guerra com eles. Foi assim na Líbia, quando os EUA via NATO armaram rebeldes e mataram Khadafi. E está sendo assim em Uganda. Precisam do apoio popular para enviar tropas para lá. E o que mais mobilizaria as pessoas que a caça por um aliciador de crianças?

  4. Carla, querida, eu li todo o seu post, achei sensacional!
    Quando você falou sobre Illuminati e ocultismo (assunto que as
    pessoas têm certa trava com isso, acho que elas acreditam que
    não há ninguém mal intencionado nesse mundo), resolvi ler os
    comentários. Li todos, um a um, inclusive os seus replies.
    O seu reply ao Rafael, me fez sentir vontade de fazer um
    comentário acrescentativo. Tudo que você falou no post tá
    corretíssimo. Os EUA não dão ponto sem nó. Tudo é arquitetado
    minunciosamente. Que vai desde o filme começar dizendo:
    “Os próximos 27 minutos são um experimento. Mas para funcionar,
    você tem que prestar atenção.”, até a linda história entreo pai
    e o filho (o pai representando os EUA, com o “entendimento-scam”
    de tudo, e o filho, nós, taxados como ignorantes, que, para
    entender – ser alienado à aquilo – melhor, é preciso desenhar.
    Um vídeo CLARAMENTE destinado a jovens, que são facilmente
    persuasíveis, e que estão 24/48 em frente ao computador.
    Done! Target detected! Então agora em vez de os EUA entrarem
    em Uganda e serem taxados de dominadores perversos mercenários
    da cabrusqueta pelo povo, o próprio POVO é quem pede:
    “POR FAVOR, INVADAM UGANDA!”.
    Mas que jogada de mestre, Kony! Você vai precisar voltar do céu
    (porque tá morto – ugandenses afirmaram isso) pra ver como o
    vídeo experimental funcionou 82.731.335 visualizações bem!😉
    Ah, tenho quase certeza que a gente pensa super igual.
    Te admirei na hora! Se tiver face, quero te add! Abraço!

    • Oi, Raphaela, tudo bem?
      Muito obrigada pelo seu comentário!! É sempre um alento encontrar pessoas como você, com senso crítico desperto e antenadas no que acontece por aí.
      É exatamente o que você falou – excelente análise da metáfora pai e filho.
      Tem tanta coisa que eu quero escrever por aqui, e por causa do trabalho nem sempre dá tempo. Mas, aos poucos, vamos conseguindo revelar um pouquinho do que acontece de não tão óbvio nesse nosso planeta.
      Tenho face sim, estou como Carla Cancellara. E você?
      Sua contribuição e comentários são sempre muito bem vindos. Admiração retribuida😀
      Obrigada e beijos!!

      • Olha, se for Carla C. Thomé, te achei. Agora eu só pude assinar suas atualizações porque meu Facebook não pode add quem não tem amigos em comum, é pena. Mas aí você add e eu aceito. Outra coisa, adorei demais tudo aqui no ‘Pequena Dúvida’ e a forma como você escreve também! A partir de hoje vou passar a visitar sempre pra saber das novidades e postar sempre que tiver um pouquinho de discernimento sobre o assunto. É pena que te falta tempo pra escrever mais, mas o pouco que fizer já é de bom grado!😉
        Faz uma página no Facebook do ‘Pequena Dúvida’ (tá lá no rodapé a opção de ‘criar página’) pra gente poder curtir e ter melhor divulgação!
        Obrigada por gastar esse tempinho!😀
        Beeeijo! :*

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